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sexta-feira, 27 de maio de 2011

O Efêmero


Já não leem o que escrevo
no agora, julgam-me apenas
pela inconstância do relevo.
Morrem a metáfora e o olfato
nos olhares que agonizam
sobre a semântica do ato...
Efêmero, alguém no outro lado
teme pela vida que logo
cairá no mundo da língua vazia.
Aqui: o amor erógeno. E lá
entre carros e sombras
está o caos sem fantasia;
vultos, inexistentes em si
entreolhando-se estaremos nós
às ruas, apressados
pela interminável respiração que se alonga já sem fôlego
        [aos olhos que morrem ao ver o mundo sem poesia.

Delalves Costa
Professor e escritor

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O HOMEM SONO EM CLARO

Amanheço. Os dias mal-dormidos
no calcanhar das noites
- roem lágrimas
nas ruas do tempo.
A vida é pedra! Na erosão,
o homem-escultura
- a terra violada
de pés
entardecidos.

Os relógios suam,
fedem à poeira.
- Desperto, o homem sono em claro.

Delalves Costa - "Considerações Pre-Maturas & Outras Ausências" - Editora Ponto